A série de maior sucesso da televisão mundial chegou ao tão aguardado fim. Como já era previsto, nem todos gostaram do seu final, mas certamente os acionistas da Disney e os produtores da série estão muito felizes com os resultados. Foi um exagero de comercial na ABC: 107. Isso mesmo. Haja break! E cada inserção de 30" custou 900 mil dólares. Faz a conta...
LOST representou a vitória da qualidade. A série apostou na produção de altíssimo nível e provou que essa é a melhor arma para as TVs resistirem à crescente ameaça da internet. Quem ganha com isso é a audiência. A geração Lost se acostumou a rir com a criatividade na internet e assistir super produções na TV. Gostando ou não da série, não dá para negar que ela se tornou um novo benchmarking de produção, roteiro e de utilização da internet para engajar o público.
Um coisa não foi mistério para ninguém: LOST achou o pote de ouro no fim do arco íris (ou no centro da ilha?!). Ninguém resiste a um bom mistério...
Os produtores Damon Lindelof e Carlton Cuse posando com o misterioso urso polar da série.
O programa "Toma Lá Dá Cá" (TV Globo) da última terça, dia 21, exibiu um Product Placement (ou merchandising, em "português") da maionese Hellmann's de mais de 10 minutos de duração. Na verdade, o produto foi o foco central do episódio, que se chamou "Por Causa da Maionese". É claro que esse assunto foi polêmica instantânea no mercado publicitário e entre simpatizantes de uma boa discussão de bar. A minha opinião? Gostei. Por vários motivos. O primeiro deles é que, apesar da duração, a ação fez parte do roteiro de uma forma harmoniosa com a informalidade do programa. O segundo é que foi a Globo que fez isso (quem diria..). O terceiro é que ficou muito melhor do que aqueles merchans de novela, que corta o clima para o personagem fazer uma transação bancária ou comprar um celular ridiculamente fora do contexto.
Uma coisa é certa: O cliente está rindo à toa:
Final do programa e da ação:
Na verdade, não existe regra para Product Placement bem feito. Depende muito do roteiro e do programa. Existem situações onde a exposição é massiva mas é coerente e outras em que o produto aparece rapidamente mas de uma forma totalmente gratuita, o que, na minha opinião, reverte negativamente para o anunciante. O pior merchan que eu me lembro é um da Citroen naquela novela "Paraíso Tropical", em que o personagem do Fábio Assunção vê o carro exposto num evento e resolve encomendar um ali mesmo. Quando é forçado dessa maneira, o Product Placement é contrangedor para quem assiste.
No dia a dia de nossas vidas, convivemos constantemente com diversas marcas e produtos, mas na hora de inserí-los num programa de TV ou um filme, é preciso ter um bom senso apurado para não "agredir" quem está assistindo.
PP da Audi no filme "Eu, Robô":
Nesse ponto, Hollywood é uma escola. Basta imitá-los. Esse episódio da maionese me lembrou um pouco o filme "Náufrago", com Tom Hanks, estrelando Fedex e Wilson. A exposição das marcas foi massiva, mas muito coerente com o roteiro.
Wilsooonnn!!
Com a impaciência dos mais jovens de ver comerciais, o video sob demanda e os downloads de conteúdos digitais, o Product Placement está ficando cada vez mais valorizado e constante nas produções americanas. Mas é preciso ter cuidado para não virar uma coisa exagerada.
A opinião de David Lynch já é mais radical, mas quero ver se ele continua pensando assim quando o depósito cai na conta dele:
Os brasileiros passam 3 vezes mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo televisão. 81% consideram o computador um meio de entretenimento mais importante do que a TV. 47% usam o celular para entretenimento.
Esses são os dados recém divulgados pela associação suíça Deloitte. Mas o negócio começa a ficar interessante quando juntamos essas informações com outras.
Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, ou CGI.br, 25% dos domicílios brasileiros já possuem computador, e os usuários de internet já são 54 milhões.
Para compararmos melhor esse número de usuários, temos:
TV por assinatura: 6,4 milhões.
Antena Parabólica: 19 milhões.
Computadores: 30 milhões.
Em outro levantamento realizado pela Cisco, o Brasil fechou 2008 com 11,8 milhões de conexões de banda larga. Um crescimento de 46% em relação a 2007. A previsão para 2009 é superar o número de 15 milhões de conexões.
O Ibope/NetRating divulgou que o brasileiro quebrou o próprio recorde de tempo de navegação e permanece líder mundial, com mais de 24 horas e 54 minutos mensais por pessoa.
Apesar dos números impressionantes, o percentual de investimento publicitário na web ainda é baixo: 3,36%, enquanto que na Inglaterra esse percentual já atingiu 19%, ultrapassando a TV como o maior meio de propaganda.
Apesar disso, é impossível não considerar a internet como parte crucial de um novo modelo de negócio para as televisões brasileiras. Cada vez será mais difícil diferenciar a TV do computador e vice-versa.
Nos Estados Unidos, o Hulu, desenvolvido através de uma união entre as redes NBC e FOX, vem se destacando e conquistando cada vez mais audiência. O modelo de negócio que vem tendo sucesso é semelhante ao da TV aberta, ou seja, conteúdo disponibilizado de graça e receita através de propaganda.
A diferença é que são inseridos apenas 2 minutos de comerciais a cada 30 minutos de programação. O Hulu já é o segundo site de videos online mais visto dos EUA, com mais de 300 milhões de visitas de acordo com pesquisa do Nielsen Online's VideoCensus, ficando somente atrás do YouTube, que só exibe conteúdo desenvolvido pelos próprios usuários. A semelhança é que ele também permite que as pessoas incorporem o conteúdo em outros sites, e isso já aconteceu mais de 4 milhões de vezes em mais de 100 mil sites.
O que pode tornar o Hulu ainda mais interessante para anunciantes, apesar do menor tempo de exposição, é a possibilidade de selecionar com precisão o público alvo. Além disso, a audiência pode classificar e avaliar os comerciais, o que não é possível na TV, fazendo com que seja possível mensurar qualitativamente o resultado da propaganda. Numa entrevista para a AdAge, o CEO da associação eMarketer, Geoffrey Ramsey, diz considerar essencial o investimento em tecnologia e pesquisa para descobrir formas de aumentar a precisão do perfil da audiência para disponibilizar propagandas mais relevantes para quem assiste online. Seria maravilhoso para os anunciantes não precisarem mais atirar em milhões para atingir milhares e para os espectadores assistirem algo que realmente os possa interessar. Já pensou? Nada mais de chã, patinho e lagarto por apenas R$1,99 o quilo!!!
O Hulu veiculou durante o Superbowl um comercial com Alec Baldwin, estrela do seriado 30Rock, onde assina o slogan "An evil plot to destroy the world. Enjoy" (algo como "Uma conspiração do mal para destruir o mundo. Aprecie"). O resultado foi um aumento de tráfego de 33%.
No Brasil, as emissoras parecem levar o slogan do Hulu a sério. A maior ameaça, a meu ver, é a qualidade do conteúdo americano. Obviamente não acho que o Hulu terá autorização para funcionar no Brasil tão cedo ou mesmo algum dia, mas conheço cada vez mais gente que prefere ver séries americanas baixadas na internet do que assistir um programa qualquer de um canal nacional. O formato das séries tem uma aceitação cada vez maior no Brasil e a qualidade já é muito próxima dos melhores filmes de Hollywood. Ao contrário das novelas diárias, o título do programa acaba se transformando numa marca mais forte que a da própria emissora ou produtora, pois o produto fica exposto por períodos que podem passar dos 10 anos, enquanto que uma novela dura cerca de 9 meses. No Hulu, é irrelevante informar se o seriado é da FOX ou NBC. A melhor maneira das TVs brasileiras se protegerem dessa ameaça é investir em conteúdo acima de tudo. Os canais a cabo como a Globosat, por exemplo, diferente dos canais abertos, tem mais liberdade para testar novidades. O seriado Mothern, do GNT, é um exemplo que deu certo no formato americano. Eu particularmente acredito muito em séries produzidas nacionalmente.
Dentre todas as emissoras brasileiras, a mais inovadora é, sem dúvida, a MTV Brasil. Programas como o 15 Minutos, de Marcelo Adnet, são disponibilizados por inteiro no YouTube e isso só o torna mais popular e ainda atrai espectadores para a TV para ver em primeira mão ou para o próprio website do canal. O conteúdo sob demanda (viva ele!) está acabando com aquela coisa de correr pra casa para não perder o programa. As pessoas cada vez mais poderão ver o que quiserem na hora que quiserem. O horário nobre será substituído pela nobre liberdade.
Nos EUA, à semelhança da NBC e FOX, a CBS desenvolveu o site TV.com, com modelo parecido mas sem tanta repercussão. Outra aposta que vem fazendo sucesso é o Boxee, que é um software open source que transmite conteúdo de vários sites, incluindo YouTube e o próprio Hulu.
Para o Brasil eu tenho uma sugestão: Que tal um site da NET onde eu possa me cadastrar com o meu código do assinante e assistir programas que já foram ao ar? Me parece uma maneira de testar o potencial desse mercado sem perder assinantes.
As TVs brasileiras, em comparação com o resto do mundo, ainda estão voando em céu de brigadeiro. No entanto, a tempestade é inevitável. A grande vantagem das TVs brasileiras, em especial a TV Globo, é o fato de que elas podem aprender a voar com turbulência observando as reações das colegas estrangeiras, pois lá essa tempestade já está sendo devastadora há algum tempo e não será diferente por aqui, onde as nuvens negras já estão se aproximando. Quem assiste menos TV hoje do que há 5 anos, levante a mão! É só reparar no próprio comportamento e no das pessoas mais próximas para se dar conta de que a coisa já mudou. Comercial então, na boa, tem que ser muuuiiito interessante para alguém perder o seu precioso tempo para dar atenção a esses filminhos que te interrompem.
Outra vantagem brasileira é o fato de que normalmente as TVs são donas de quase 100% dos conteúdos que transmitem, diferente dos Estados Unidos, que compram boa parte de grandes produtoras, que podem negociar com as TVs que quiserem. Mas é necessário saber usar essas vantagens! As TVs nacionais ainda estão engatinhando na internet, onde já poderiam ou deveriam estar bem melhores.
Saiu essa semana na Advertising Age a estatística abaixo mostrando que, exceto a ABC, todas as demais redes americanas baixaram o preço do seu espaço comercial.
Uma pesquisa publicada ontem na Inglaterra, revelou que a chamada "Geração iPod" está indicando que as TVs estão tendo cada vez menos relevância nas vidas dessas pessoas, enquanto que a internet passa a ser o novo hub de suas vidas.
A pesquisa da Flip Video, mostra que metade dos jovens britânicos de 18 a 24 anos passando mais tempo em sites de relacionamento do que assistindo TV. 61% passam mais tempo online do que na frente da TV. Não parece muito diferente da nossa realidade, parece? Outro dado interessante da mesma pesquisa: 17% dos britânicos entre 18 e 34 anos, produz e compartilha videos online pelo menos 1 vez por semana, ou seja, uma boa parte da geração iPod está mais interessada em compartilhar conteúdo com os amigos do que assistir TV tradicional. Olha eu aqui escrevendo um blog...
Uma das alternativas de receita mais comuns à crescente rejeição aos intervalos comerciais, é o product placement, ou merchandising, em "português". Lá fora o merchan é muito bem feito da maioria das vezes, coerente com o roteiro. Por aqui ainda é muito tosco, não me pergunte porque. Chega a dar raiva do produto e da emissora.
Enfim, deixa eu ir que agora tenho que fazer um pagamento online através do internet banking do Tosco Bank, que por sinal dá 50 dias sem juros no cheque especial...
Estreou semana passada na Fox americana e essa semana no iTunes, FRINGE, a nova série do especialista em mistérios J.J. Abrams, o mesmo criador do fenômeno LOST. A nova série de cara já apresenta algumas semelhanças com o primo perdido. O estilo da trilha, a edição, os ícones de significado misterioso, enfim, a mesma receita de bolo que parece funcionar muito bem. Episódio piloto com avião então parece ser a supertição de sucesso de Abrams. A repercussão nos EUA foi positiva e as discussões sobre a série bombam na internet. No iTunes estreou logo com o 2º lugar e agora está em 8º na lista top 10.
Uma nova aposta divulgada pela Fox para Fringe, é o formato comercial da série, o que eles estão chamando de "Remote-Free TV". A idéia é diminuir em 50% o intervalo comercial, exibindo apenas 2 comerciais, e aumentar o custo de product placement coerente com o roteiro. Uma das primeiras marcas a apontar na série é a Ford. Mas, como foi muito bem colocado pelo site Brainstorm #9, esse nome escolhido foi meio forçação, pois free é free. Se tem 2 comercias já não é mais free, ainda dá para usar o controle remoto, mesmo que com agilizadade para não perder o início do próximo bloco. De qualquer maneira, vale acompanhar se o formato vai funcionar e isso mostra a atual necessidade dos formatos televisivos se reinventarem para não ficarem para trás.
Para quem ainda não viu a imperdível palestra de J.J. Abrams no TED Talks: