Cenas dos Próximos Capítulos (ou seriam episódios?)
Os brasileiros passam 3 vezes mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo televisão. 81% consideram o computador um meio de entretenimento mais importante do que a TV. 47% usam o celular para entretenimento.
Esses são os dados recém divulgados pela associação suíça Deloitte. Mas o negócio começa a ficar interessante quando juntamos essas informações com outras.
Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, ou CGI.br, 25% dos domicílios brasileiros já possuem computador, e os usuários de internet já são 54 milhões.
Para compararmos melhor esse número de usuários, temos:
TV por assinatura: 6,4 milhões.
Antena Parabólica: 19 milhões.
Computadores: 30 milhões.
Em outro levantamento realizado pela Cisco, o Brasil fechou 2008 com 11,8 milhões de conexões de banda larga. Um crescimento de 46% em relação a 2007. A previsão para 2009 é superar o número de 15 milhões de conexões.
O Ibope/NetRating divulgou que o brasileiro quebrou o próprio recorde de tempo de navegação e permanece líder mundial, com mais de 24 horas e 54 minutos mensais por pessoa.
Apesar dos números impressionantes, o percentual de investimento publicitário na web ainda é baixo: 3,36%, enquanto que na Inglaterra esse percentual já atingiu 19%, ultrapassando a TV como o maior meio de propaganda.
Apesar disso, é impossível não considerar a internet como parte crucial de um novo modelo de negócio para as televisões brasileiras. Cada vez será mais difícil diferenciar a TV do computador e vice-versa.
Nos Estados Unidos, o Hulu, desenvolvido através de uma união entre as redes NBC e FOX, vem se destacando e conquistando cada vez mais audiência. O modelo de negócio que vem tendo sucesso é semelhante ao da TV aberta, ou seja, conteúdo disponibilizado de graça e receita através de propaganda.
A diferença é que são inseridos apenas 2 minutos de comerciais a cada 30 minutos de programação. O Hulu já é o segundo site de videos online mais visto dos EUA, com mais de 300 milhões de visitas de acordo com pesquisa do Nielsen Online's VideoCensus, ficando somente atrás do YouTube, que só exibe conteúdo desenvolvido pelos próprios usuários. A semelhança é que ele também permite que as pessoas incorporem o conteúdo em outros sites, e isso já aconteceu mais de 4 milhões de vezes em mais de 100 mil sites.
O que pode tornar o Hulu ainda mais interessante para anunciantes, apesar do menor tempo de exposição, é a possibilidade de selecionar com precisão o público alvo. Além disso, a audiência pode classificar e avaliar os comerciais, o que não é possível na TV, fazendo com que seja possível mensurar qualitativamente o resultado da propaganda. Numa entrevista para a AdAge, o CEO da associação eMarketer, Geoffrey Ramsey, diz considerar essencial o investimento em tecnologia e pesquisa para descobrir formas de aumentar a precisão do perfil da audiência para disponibilizar propagandas mais relevantes para quem assiste online. Seria maravilhoso para os anunciantes não precisarem mais atirar em milhões para atingir milhares e para os espectadores assistirem algo que realmente os possa interessar. Já pensou? Nada mais de chã, patinho e lagarto por apenas R$1,99 o quilo!!!
O Hulu veiculou durante o Superbowl um comercial com Alec Baldwin, estrela do seriado 30Rock, onde assina o slogan "An evil plot to destroy the world. Enjoy" (algo como "Uma conspiração do mal para destruir o mundo. Aprecie"). O resultado foi um aumento de tráfego de 33%.
No Brasil, as emissoras parecem levar o slogan do Hulu a sério. A maior ameaça, a meu ver, é a qualidade do conteúdo americano. Obviamente não acho que o Hulu terá autorização para funcionar no Brasil tão cedo ou mesmo algum dia, mas conheço cada vez mais gente que prefere ver séries americanas baixadas na internet do que assistir um programa qualquer de um canal nacional. O formato das séries tem uma aceitação cada vez maior no Brasil e a qualidade já é muito próxima dos melhores filmes de Hollywood. Ao contrário das novelas diárias, o título do programa acaba se transformando numa marca mais forte que a da própria emissora ou produtora, pois o produto fica exposto por períodos que podem passar dos 10 anos, enquanto que uma novela dura cerca de 9 meses. No Hulu, é irrelevante informar se o seriado é da FOX ou NBC. A melhor maneira das TVs brasileiras se protegerem dessa ameaça é investir em conteúdo acima de tudo. Os canais a cabo como a Globosat, por exemplo, diferente dos canais abertos, tem mais liberdade para testar novidades. O seriado Mothern, do GNT, é um exemplo que deu certo no formato americano. Eu particularmente acredito muito em séries produzidas nacionalmente.
Dentre todas as emissoras brasileiras, a mais inovadora é, sem dúvida, a MTV Brasil. Programas como o 15 Minutos, de Marcelo Adnet, são disponibilizados por inteiro no YouTube e isso só o torna mais popular e ainda atrai espectadores para a TV para ver em primeira mão ou para o próprio website do canal. O conteúdo sob demanda (viva ele!) está acabando com aquela coisa de correr pra casa para não perder o programa. As pessoas cada vez mais poderão ver o que quiserem na hora que quiserem. O horário nobre será substituído pela nobre liberdade.
Nos EUA, à semelhança da NBC e FOX, a CBS desenvolveu o site TV.com, com modelo parecido mas sem tanta repercussão. Outra aposta que vem fazendo sucesso é o Boxee, que é um software open source que transmite conteúdo de vários sites, incluindo YouTube e o próprio Hulu.
Para o Brasil eu tenho uma sugestão: Que tal um site da NET onde eu possa me cadastrar com o meu código do assinante e assistir programas que já foram ao ar? Me parece uma maneira de testar o potencial desse mercado sem perder assinantes.
Se der lucro quero minha comissão...
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Cenas dos Próximos Capítulos (ou seriam episódios?)
Os brasileiros passam 3 vezes mais tempo por semana conectados à internet do que assistindo televisão. 81% consideram o computador um meio de entretenimento mais importante do que a TV. 47% usam o celular para entretenimento.
Esses são os dados recém divulgados pela associação suíça Deloitte. Mas o negócio começa a ficar interessante quando juntamos essas informações com outras.
Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil, ou CGI.br, 25% dos domicílios brasileiros já possuem computador, e os usuários de internet já são 54 milhões.
Para compararmos melhor esse número de usuários, temos:
TV por assinatura: 6,4 milhões.
Antena Parabólica: 19 milhões.
Computadores: 30 milhões.
Em outro levantamento realizado pela Cisco, o Brasil fechou 2008 com 11,8 milhões de conexões de banda larga. Um crescimento de 46% em relação a 2007. A previsão para 2009 é superar o número de 15 milhões de conexões.
O Ibope/NetRating divulgou que o brasileiro quebrou o próprio recorde de tempo de navegação e permanece líder mundial, com mais de 24 horas e 54 minutos mensais por pessoa.
Apesar dos números impressionantes, o percentual de investimento publicitário na web ainda é baixo: 3,36%, enquanto que na Inglaterra esse percentual já atingiu 19%, ultrapassando a TV como o maior meio de propaganda.
Apesar disso, é impossível não considerar a internet como parte crucial de um novo modelo de negócio para as televisões brasileiras. Cada vez será mais difícil diferenciar a TV do computador e vice-versa.
Nos Estados Unidos, o Hulu, desenvolvido através de uma união entre as redes NBC e FOX, vem se destacando e conquistando cada vez mais audiência. O modelo de negócio que vem tendo sucesso é semelhante ao da TV aberta, ou seja, conteúdo disponibilizado de graça e receita através de propaganda.
A diferença é que são inseridos apenas 2 minutos de comerciais a cada 30 minutos de programação. O Hulu já é o segundo site de videos online mais visto dos EUA, com mais de 300 milhões de visitas de acordo com pesquisa do Nielsen Online's VideoCensus, ficando somente atrás do YouTube, que só exibe conteúdo desenvolvido pelos próprios usuários. A semelhança é que ele também permite que as pessoas incorporem o conteúdo em outros sites, e isso já aconteceu mais de 4 milhões de vezes em mais de 100 mil sites.
O que pode tornar o Hulu ainda mais interessante para anunciantes, apesar do menor tempo de exposição, é a possibilidade de selecionar com precisão o público alvo. Além disso, a audiência pode classificar e avaliar os comerciais, o que não é possível na TV, fazendo com que seja possível mensurar qualitativamente o resultado da propaganda. Numa entrevista para a AdAge, o CEO da associação eMarketer, Geoffrey Ramsey, diz considerar essencial o investimento em tecnologia e pesquisa para descobrir formas de aumentar a precisão do perfil da audiência para disponibilizar propagandas mais relevantes para quem assiste online. Seria maravilhoso para os anunciantes não precisarem mais atirar em milhões para atingir milhares e para os espectadores assistirem algo que realmente os possa interessar. Já pensou? Nada mais de chã, patinho e lagarto por apenas R$1,99 o quilo!!!
O Hulu veiculou durante o Superbowl um comercial com Alec Baldwin, estrela do seriado 30Rock, onde assina o slogan "An evil plot to destroy the world. Enjoy" (algo como "Uma conspiração do mal para destruir o mundo. Aprecie"). O resultado foi um aumento de tráfego de 33%.
No Brasil, as emissoras parecem levar o slogan do Hulu a sério. A maior ameaça, a meu ver, é a qualidade do conteúdo americano. Obviamente não acho que o Hulu terá autorização para funcionar no Brasil tão cedo ou mesmo algum dia, mas conheço cada vez mais gente que prefere ver séries americanas baixadas na internet do que assistir um programa qualquer de um canal nacional. O formato das séries tem uma aceitação cada vez maior no Brasil e a qualidade já é muito próxima dos melhores filmes de Hollywood. Ao contrário das novelas diárias, o título do programa acaba se transformando numa marca mais forte que a da própria emissora ou produtora, pois o produto fica exposto por períodos que podem passar dos 10 anos, enquanto que uma novela dura cerca de 9 meses. No Hulu, é irrelevante informar se o seriado é da FOX ou NBC. A melhor maneira das TVs brasileiras se protegerem dessa ameaça é investir em conteúdo acima de tudo. Os canais a cabo como a Globosat, por exemplo, diferente dos canais abertos, tem mais liberdade para testar novidades. O seriado Mothern, do GNT, é um exemplo que deu certo no formato americano. Eu particularmente acredito muito em séries produzidas nacionalmente.
Dentre todas as emissoras brasileiras, a mais inovadora é, sem dúvida, a MTV Brasil. Programas como o 15 Minutos, de Marcelo Adnet, são disponibilizados por inteiro no YouTube e isso só o torna mais popular e ainda atrai espectadores para a TV para ver em primeira mão ou para o próprio website do canal. O conteúdo sob demanda (viva ele!) está acabando com aquela coisa de correr pra casa para não perder o programa. As pessoas cada vez mais poderão ver o que quiserem na hora que quiserem. O horário nobre será substituído pela nobre liberdade.
Nos EUA, à semelhança da NBC e FOX, a CBS desenvolveu o site TV.com, com modelo parecido mas sem tanta repercussão. Outra aposta que vem fazendo sucesso é o Boxee, que é um software open source que transmite conteúdo de vários sites, incluindo YouTube e o próprio Hulu.
Para o Brasil eu tenho uma sugestão: Que tal um site da NET onde eu possa me cadastrar com o meu código do assinante e assistir programas que já foram ao ar? Me parece uma maneira de testar o potencial desse mercado sem perder assinantes.